Ministério Público apura visitas feitas a Leto Viana e Lúcio José, presos da 'Xeque-Mate'.
12/04/2018 - 10h56 em Política

Leto Viana (PRP) e Lúcio José (PRP) receberam visitar do ex-promotor de Cabedelo. Operação foi deflagrada no dia 3 de abril.

 

O Ministério Público da Paraíba (MPPB) está investigando a relação entre os visitantes e os presos da Operação Xeque-Mate, deflagrada no dia 3 de abril, no município de Cabedelo, na Grande João Pessoa. Um dos nomes que mais chamou atenção do órgão na relação de visitas foi o do ex-promotor de Cabedelo, Aluízio Cavalcante Bezerra, que estaria visitando o prefeito afastado Leto Viana (PRP) e o presidente da Câmara Municipal de Cabedelo, Lúcio José (PRP), também afastado.

A operação iniciou com o objetivo de desarticular um esquema de corrupção na administração pública do município de Cabedelo. A deflagração do esquema moveu algumas peças na gestão da cidade e modificou, rapidamente, a administração.

Os nomes dos visitantes já estão com o MPPB, que vai fazer uma apuração sobre a relação das visitas. Aluízio Cavalcante Bezerra visitou Leto Viana, apontado pela Polícia Federal como chefe da organização criminosa, e Lúcio José, presidente afastado da Câmara Municipal, no 5º Batalhão da Polícia Militar.

Os responsáveis pela investigação lembram que o ex-membro do MPPB atuava em Cabedelo no mesmo período em que Leto e José atuavam na prefeitura e na Câmara. O Ministério Público agora quer saber quais as relações entre os presos e visitantes.

O ex-promotor foi punido em 2015 e transferido para Campina Grande, por conta da suspeita de ter atirado em uma travesti na orla de João Pessoa. O G1 tentou entrar em contato com Aluízio Bezerra, mas as ligações não foram atendidas.

Entenda a ‘Xeque-Mate’

 

A operação Xeque-Mate foi desencadeada a partir de uma colaboração premiada do ex-presidente da Câmara de Cabedelo, Lucas Santino. O parlamentar teria procurado a PF espontaneamente e, por não ter acesso a provas, a investigação foi iniciada. Ao ex-vereador Lucas Santino foi oferecida a extinção da pena de alguns crimes. Ele informou à Polícia Federal que o prefeito de Cabedelo forçou uma CPI para atrapalhar o trabalho do ex-presidente da Câmara. Ele confessou à PF que cometeu os crimes apontados na CPI, mas alegou que outros foram cometidos por colegas.

A Polícia Federal cumpriu 11 mandados de prisão preventiva, 15 sequestros de imóveis e 36 de mandados busca e apreensão expedidos pelo Tribunal de Justiça da Paraíba. Além dos mandados, a Justiça decretou o afastamento cautelar do cargo de 85 servidores públicos, incluindo o prefeito e o vice-prefeito de Cabedelo, e o presidente da Câmara Municipal. Todos os 11 alvos de mandados de prisão foram detidos.

Foram apreendidos R$ 300 mil em dinheiro, além de joias e outros objetos durante a ação nas casas do prefeito e do presidente da Câmara. Documentos foram apreendidos com CPFs, contas bancárias e manuscritos indicando movimentação de valores e lavagem de dinheiro.

Segundo as investigações, o grupo teria desviado ao menos R$ 30 milhões, sendo R$ 4,8 milhões somente utilizando cargos fantasmas. O colaborador da Polícia Federal contou aos investigadores que o atual prefeito, inicialmente eleito como vice-prefeito em 2012, teria pago R$ 5 milhões ao ex-prefeito Luceninha para assumir o mandato.

 

 

Fonte:https://g1.globo.com

 
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